Construída em 1935, a Casa das Rosas exerce a magia de
transportar o visitante a um passado não muito distante: a avenida paulista dos
casarões e mansões dos Barões do Café. Curiosamente, esta casa, assim, como
muitas outras da av. Paulista, não era de um desses ditos “Barões do Café”, mas
de um engenheiro civil, empresário e professor chamado Ernesto Dias de Castro
(1873-1955).
Ernesto era casado com Lúcia Lacaze Ramos de Azevedo, filha
do engenheiro e arquiteto Ramos de Azevedo (1851-1928), cujo escritório
paulista foi responsável pelo projeto e/ou construção de grandes obras na
cidade de São Paulo, como o Teatro Municipal, o Mercado Municipal, a Pinacoteca
do Estado e tantos outros. Ramos de Azevedo será objeto de um blog especial.
Como podem imaginar, a Casa das Rosas foi projeto do escritório de Ramos de
Azevedo, cujo autor foi o arquiteto Felisberto Ranzini.
A família de Ernesto e Lúcia morou na Casa das Rosas por 51
anos, até o ano de 1986.
Sua arquitetura é eclética, pois possui diferentes estilos,
embora com uma predominância de influência da renascença francesa. Com cerca de
trinta cômodos, a casa possui quatro pavimentos: um porão, o térreo, o primeiro
andar e uma mansarda (cômodo de casa situado numa abertura do telhado, com
parede inclinada e teto baixo), além de duas varandas. O vitral foi produzido
pela renomada Casa Conrado, um importante ateliê de vitrais fundado no século
XIX e que também merece um blog à parte.
O destaque que dá nome à casa é o seu rico jardim, com rosas
entre outras. Em estilo francês, o canteiro em forma geométrica, possui uma
fonte e um caminho sob um “túnel” de arco metálico que as crianças adoram
passear.
Além dos aspectos paisagísticos e arquitetônicos, o projeto
da Casa das Rosas expõe claramente como a distribuição dos cômodos refletia a
estrutura social da época, com uma hierarquia, onde ao homem eram reservados os
espaços de trabalho e lazer, seguido pela esposa, responsável pela imagem e
dinâmica da casa, depois os filhos e finalmente os serviçais, que também possuíam
sua hierarquia particular. A arquitetura separa espacialmente as áreas íntimas,
sociais e de serviço, com acessos e circulações próprios.
Tombado em 1985 pelo Conselho de Defesa do Patrimônio
Histórico, Artístico, Arquitetônico e Turístico (CONDEPHAAT), o imóvel foi
desapropriado em 1986, e passou por reformas até 1991, quando foi aberto ao
público como espaço museológico, e integra a rede de Museus-Casas da Secretaria
de Cultura do Estado de São Paulo, como Casa das Rosas – Espaço Haroldo de
Campos de Poesia e Literatura.
Hoje a Casa-Museu é aberta ao público de terça-feira ao domingo, das 10h às 17h30, e o jardim é aberto de segunda-feira ao domingo, das 7h até 22h.
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